Vale a pena trabalhar com vitrificação desde o início?

Vale a pena trabalhar com vitrificação automotiva desde o início? Na minha opinião, sim. Mas esse “sim” vem acompanhado de algumas perguntas importantes: que tipo de carro você vai atender, qual vitrificador vai usar, quanto tempo o veículo vai ocupar sua operação e quanto dinheiro você precisa investir antes de começar.
Comandante, a vitrificação pode ser um serviço interessante desde o começo, mas ela precisa caber na realidade da sua estética. Não adianta escolher um serviço de ticket mais alto se ele trava sua única vaga, exige equipamentos que você ainda não tem e demora dias para colocar dinheiro de volta no caixa.
Que tipo de veículo você pretende vitrificar?
Esse é o primeiro ponto. Se você está começando e já quer trabalhar com carros que exigem alto nível de correção de pintura, o tempo de serviço sobe bastante. Um carro que precisa de muitas etapas de polimento, correção pesada e acabamento refinado pode ficar um, dois ou até três dias dentro da operação.
Aqui na Pistão existem visões diferentes. O Gabriel, meu sócio, gosta de buscar um nível de correção muito alto e deixar o carro o mais próximo possível de zero riscos. Eu, Wanderson Gomes, da Pistão Web, tenho um perfil mais voltado para velocidade e giro: levantar brilho, remover riscos e microrriscos que fazem sentido, proteger a pintura e liberar o veículo. Nenhuma abordagem é automaticamente certa ou errada. O importante é entender qual delas combina com a sua estrutura e com o preço que você cobra.

No começo, o vitrificador precisa facilitar a sua vida
Eu evitaria começar por coatings muito difíceis de aplicar e remover, principalmente produtos do tipo hard coating ou vitrificadores que exigem uma janela de trabalho muito crítica. Um erro de aplicação pode significar retrabalho, polimento novamente e perda de tempo.
Para quem está começando, eu priorizaria três coisas: aplicação simples, remoção tranquila e liberação rápida do veículo. Existem vitrificadores profissionais de marcas como SONAX, Fireball, CarPro e Gtechniq com propostas voltadas para uma operação mais eficiente.
Um exemplo de produto que entra nessa lógica é o SONAX CC Pro. Na orientação operacional que utilizamos como referência, o veículo pode ser liberado cerca de duas horas após a aplicação, já com a cura parcial necessária para essa liberação, inclusive em condição de chuva. Sempre respeite a ficha técnica, o ambiente de aplicação e as orientações do fabricante. Para quem tem apenas uma vaga, diminuir o tempo de pátio pode mudar completamente a conta do serviço.
Uma vaga ocupada por 24 horas custa dinheiro
Agora imagine que sua estética só comporta um carro. Se o vitrificador escolhido exige que o veículo permaneça 12 ou 24 horas parado para cura antes da liberação, aquela vaga fica bloqueada durante todo esse período.
Em uma empresa com espaço para três ou quatro veículos isso pode ser administrável. Em uma operação pequena, pode significar perder outros serviços. Por isso, comandante, não olhe apenas para o valor cobrado na vitrificação. Olhe para o faturamento que aquela vaga poderia gerar no mesmo período.
Faça a conta: vitrificação ou mais serviços rápidos?
Suponha que uma lavagem técnica leve três ou quatro horas. Dependendo do seu preço, da sua demanda e do tempo total necessário para preparar, corrigir, vitrificar e curar um veículo, talvez dois ou três dias de lavagens gerem mais caixa do que uma única vitrificação.
Existe ainda a recorrência. Um cliente pode vitrificar o carro uma vez a cada três anos, dependendo do produto e da manutenção. Lavagem, por outro lado, pode voltar todos os meses. O ticket da vitrificação é maior, mas ticket não é a única variável. Giro, recorrência, ocupação da agenda e margem também importam.

Você já tem os equipamentos necessários?
Antes de adicionar vitrificação ao cardápio, veja o que já existe na sua operação. Você tem politrizes, boinas, iluminação adequada, produtos para preparação, microfibras e conhecimento para executar a correção necessária?
Se precisa comprar tudo parcelado, fazer empréstimo ou comprometer o caixa esperando que um cliente futuro pague o investimento, eu teria cautela.
Na minha opinião, eu, Wanderson Gomes, da Pistão Web, prefiro operar líquido. Prefiro comprar sabendo de onde o dinheiro está vindo, como o investimento vai voltar e sem depender de um serviço que ainda nem foi vendido para pagar a conta.
Então, vale a pena começar com vitrificação?
Sim, pode valer muito a pena. Mas não porque vitrificação parece um serviço mais sofisticado ou porque tem ticket maior. Ela precisa fazer sentido dentro da sua operação.
Se você tem o equipamento, conhece o processo, escolhe um vitrificador fácil de trabalhar, consegue liberar o carro rapidamente e cobra um valor que remunera o tempo de pátio, ótimo. Se para oferecer o serviço você precisa travar sua única vaga por dias e comprometer o caixa, talvez seja melhor fortalecer primeiro os serviços de maior giro e recorrência.
Comandante, no começo o mais importante não é ter o maior cardápio de serviços. É ter uma operação que gira, coloca dinheiro no caixa e permite que você continue evoluindo.
Quer continuar evoluindo sua estética automotiva?
Aqui no blog da Pistão Web você encontra outros conteúdos sobre marketing, precificação, produtos e posicionamento estratégico para o mercado de estética automotiva. Continue explorando nossos conteúdos e use essas informações para tomar decisões que façam sentido para a realidade da sua operação.
Perguntas frequentes sobre começar com vitrificação
Qual vitrificador usar para começar?
Prefira produtos de aplicação simples, remoção tranquila e liberação rápida do veículo, e evite no início hard coatings ou vitrificadores com janela de trabalho muito crítica. Siga sempre a ficha técnica e as orientações do fabricante.
Quanto tempo o carro fica parado depois da vitrificação?
Depende do produto. Alguns exigem 12 ou 24 horas de cura antes da liberação; outros permitem liberar o carro em poucas horas, como o SONAX CC Pro, que, na orientação que usamos como referência, libera o veículo cerca de duas horas após a aplicação.
Vitrificação dá mais dinheiro que lavagem?
Nem sempre. O tíquete da vitrificação é maior, mas ela pode ocupar a vaga por dias e voltar só a cada alguns anos, enquanto a lavagem pode voltar todo mês. Compare quanto a vaga geraria no mesmo período antes de decidir.
Do que preciso para começar a vitrificar?
Politrizes, boinas, iluminação adequada, produtos de preparação, microfibras e conhecimento para fazer a correção de pintura necessária. Se for preciso se endividar para comprar tudo, vale ter cautela.
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Texto: Wanderson Gomes, sócio da Pistão Web, assessoria de marketing que há 4 anos trabalha exclusivamente com estéticas automotivas.



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